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A mão no peito. A respiração profunda. “Eu estou bem, vai ficar tudo bem”.  E assim a gente vai levando cada dia, minto, cada novo minuto. O pensar, essa constante consideração do “estou vivo, tá tudo bem”, essa constante vigilância dos menores sinais do corpo, quase nunca para. Na maioria das vezes, ninguém nem percebe que o outro está tendo um ataque de ansiedade. Posso afirmar que – desde que fui diagnosticada como pessoa que possui síndrome do pânico e ansiedade generalizada- eu nunca passei um dia sem considerar o fato de que eu tenho ansiedade.

E essa é uma luta que é interna, extremamente interna, mas é um a luta com o externo. Com as pessoas, com os lugares, com as situações… com as barreiras construídas e pontos de associação negativos no mundo exterior. O modo de pensar é quase como uma superstição, como não passar embaixo da escada, mas ao invés da escada, “não posso ir por aquela rua, porque, uma vez, eu me senti bem mal ali, e vai que se repete”, e a repetição é o azar, é o quebrar do espelho, o cruzar com o gato preto na rua (um beijo para os meus dois gatos pretos que eu amo). Agora vai explicar isso pros amigos, pra família, pro teu chefe, prx namoradx.

Vamos para os exemplos: Primeiramente (ForaTemer! haha) temos uma reprodução fiel de um dialogo que aconteceu comigo:

-vamos?
-quero não.
-mas não quer porque?
-sei lá…
-ah, isso é frescura!
-né não, é que, sabe… eu fico mal de fazer isso, me dá uma agonia e minha cabeça começa a achar que algo ruim vai acontecer e meu corpo decide acreditar na minha cabeça…
-ah, isso é doidice!

Então é melhor uma dor na garganta, uma dor na coluna, uma infeção intestinal. Qualquer coisa é melhor que ser “doido”, porque ser doido não é aceitável. Imagina sentir algo e não poder falar desse algo com alguém que você ama porque essa pessoa não acredita que essa coisa existe? Tem mais gente que fala sobre unicórnio do que sobre saúde mental (esse dado foi extraído do IMM – Instituto Minha Mente – com base em 1 opinião mesmo).

Mas até tem uma galera “bacana” que acredita em você, na importância da saúde mental. E você se sente bem por um tempo e essa galera te diz “vai ficar tudo bem” e isso é massa, mas…

-vamos?
-vou não pô
-mas por quê? Tá mal?
-Tô
-poxa amiga, mas tem que ter força de vontade! Não pode ser desse jeito.

E ai você pensa “será que eu posso mandar fulano se fuder, mesmo ele tendo sido legal antes?”, mas só pensa mesmo, porque você sofre de ansiedade e tem muita culpa por isso, e meio que acha que fulano tem razão, embora tenha feito milhões de exercícios que a terapeuta ensinou, faça caminhadas, yoga e tome remédios que te deixam meio fora de foco e impedem o teu coração de acelerar sempre que você apenas pensa na ideia de sair de casa. .. quer dizer, você se esforça, você tem vontade. O maior medo de uma pessoa que tem um ataque pânico é de ter outro ataque de pânico, e esse medo faz com que você fique esperando pelo próximo, pelos sinais deles: ANSIEDADE. Imagina, você que não tem ansiedade e fala pro colegx que ele precisa de “força de vontade”, imagina isso! Força de vontade é só o que uma pessoa lutando contra ansiedade e/ou pânico possui, vá por mim nessa.

Então, se você é uma pessoa que não possui ansiedade mas gostaria de adotar uma postura mais empática com pessoas que possuem ansiedade, vamos lá:

1 – Respeite as vontades alheias. Dizer um “não” é negócio mentalmente infernal. Você acha que a pessoa com ansiedade gosta de ficar em casa? Porque ela não gosta (não quando esse ficar em casa é um privação criada pela doença), então entenda que é um não que queria muito ser um sim. Que tá trabalhando pra se transformar num sim, pra tentar. Às vezes, só sair de casa requer tanta energia que ao colocar o pé na porta eu já quero voltar pra cama.

 2- Quando não souber o que dizer, apenas esteja presente. Eu acho que a melhor coisa que uma pessoa pode receber da outra é um abraço sincero, a presença. Sente ao lado do seu amigo(a), parente, namorado(a) e apenas esteja lá por ele.

3- Não trate transtornos mentais como gripe. Frases como “é só tomar um comprimido” ou “Isso é porque tu não come” não acrescentam em nada. E são bem escrotas.

4 – Não coloque mais lenha na fogueira. Não faça perguntas do tipo “tu deveria fazer isso tendo ansiedade?” ou comentários como “mulher, tu já é assim, ainda inventa de fazer essas coisas”. São horas/semanas/meses (depende da situação) que uma pessoa ansiosa leva pra decidir fazer algo, tudo que essa pessoa não precisa é ser lembrada da sua ansiedade, peço licença pra repetir um trecho: eu nunca passei um dia sem considerar o fato de que eu tenho ansiedade. Então, por favor, não pense que isso não foi considerado.

Enfim, se coloque no lugar do outro. Tenha sensibilidade, empatia. Como deveria ter com todo mundo.

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