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É a história mais antiga de todas, João e Maria que eram felizes, mas João tinha uma ex-namorada e essa ex-namorada infernizava demais o relacionamento deles, estava sempre ligando, mandando mensagens, parecia capaz de se materializar nos lugares onde eles iam. João dizia “deixa pra lá, ignora” mas também dizia “eu não posso fazer nada se ela vive atrás de mim”. João era muito irresistível e inocente, todo João, José, André.. acha que é. Maria acreditava, ela tinha certeza que a culpa da história toda, da instabilidade do relacionamento era da ex-namorada, e ela queria não agir como louca, o que ela sabia que fazia porque João sempre dizia que ela estava agindo como louca, mas não dava, se ela virasse um minutinho tinha a ex-namorada perto de João, uma mensagem no celular. Ele nunca respondia, ou respondia? Talvez ele apagasse, estava mesmo ficando maluca, ele tinha razão. A culpa era dela, da ex-namorada.

Maria sempre ouvia João dizendo que a amava quando essas coisas aconteciam “eu te amo, você precisa confiar em mim”, e ela confiava nele, mas não confiava na cobra peçonhenta, ela o roubaria na primeira oportunidade. Um dia os pesadelos de Maria viraram realidade, João e a ex-namorada estavam juntos pelas suas costas. Ela pensou em terminar naquele exato momento, mas ligou pra mãe ela disse “você vai jogar um relacionamento tão bonito por causa de outra mulher?” Maria pensou se era mesmo tão bonito assim, mas ela sabia que o amava e ele também dizia amá-la, então era, era sim, um relacionamento lindo. Ligou para as amigas elas disseram uma versão diferente da mesma essência: – Você vai deixar essa puta ficar com o seu homem? Não, ela não ia. Ia pegá-lo de volta, limpar as feridas, retirar as teias que a aranha (ou era cobra?) havia tecido ao redor do seu pobre e inocente namorado, afinal de contas ele era homem e homens são assim mesmo, não conseguem se controlar quando uma mulher se oferece pra eles.
 
João pediu perdão. Maria aceitou. A outra ganhou status de vilã de novela. Maria começou, em certo ponto, a achar que talvez precisasse se esforçar mais para mantê-lo. Ele não procuraria fora se não fosse por ela, procuraria? Talvez a culpa fosse da ex-namorada, mas também era culpa dela um pouco. João, coitado, era a única vítima. O que Maria não sabia é que haveria sempre uma próxima outra. O que sua mãe e amigas nunca lhe contaram, pois não sabem elas mesmas, é que o único assinante do contrato emocional na relação “extranamoro” era João, a outra não tinha nenhum compromisso com o bem estar emocional de Maria, João tinha. Mas esses contratos só parecem valer para Marias e outras, para os artigos femininos. A ironia da história é que se você perguntar a ex-namorada, vai descobrir que ela mesma foi traída por João, logo, ela e Maria são mais parecidas do que pensam.  
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