luto1.jpg“Feliz Dia da Mulher” diz o homem na porta do meu trabalho entregando flores. É engraçado como aquela frase não me toca, não vejo sentido naquilo. Não que eu não ame ser mulher, amo, amo mesmo. E sempre tento ao máximo não deixar que me diminuíam por isso, ou que façam com que eu me sinta menos mulher por não atender a determinados padrões, mas não hoje. Hoje eu me dou o direito de não amar essa ideia do que significa ser mulher. Então eu não aceito as flores, nem as mensagens que nos chamam de guerreira, de forte, de multitarefa, que celebram o ser mulher confundido-o com o ser mãe. Eu não aceito essa dose minuscula e anual de respeito e consideração.

Mulheres cis e trans são assassinadas todos os dias. E eu não posso aceitar esse “parabéns”, de um dia enquanto no resto do ano o que se celebra é o ser homem. São os homens que dominam as ruas, que nos aterrorizam, nos assediam enquanto caminhamos sozinhas e mesmo quando caminhamos juntas. São os homens que nos validam/completam, que nos tornam a “mulher de fulano” a “mulher direita” com quem não se deve mexer. São os homens que ocupam os espaços, que tiram nossas falas, o nosso protagonismo. São os homens que, de forma hegemônica, determinam as políticas exercidas sobre nossos corpos, nossas vidas. Além disso, sou mulher em um país no qual a primeira presidente mulher é criticada com palavras misóginas, não há o que comemorar.

A mensagem certa para o dia é de luta. Repasso a todas as mulheres o que me desejou uma amiga querida: “que esse dia seja como um respiro para seguirmos em frente, lutando, desconstruindo”. Que seja também um momento para pensar sobre como, em uma sociedade homem, nós, mulheres, tratamos umas as outras.

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